
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro neste sábado (22), como parte das investigações sobre tentativa de golpe de Estado e ataques ao sistema democrático brasileiro. A decisão foi autorizada com base em elementos que apontam para a atuação direta de Bolsonaro na tentativa de invalidar as eleições de 2022, que ele perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o despacho, Bolsonaro é acusado de integrar uma organização voltada à subversão da ordem constitucional, com ações articuladas para deslegitimar o processo eleitoral e incentivar atos antidemocráticos. A decisão se apoia em depoimentos, mensagens interceptadas e provas documentais colhidas ao longo dos últimos meses.
A ordem é de prisão preventiva, ou seja, sem prazo definido. Moraes justifica a medida pelo risco de que Bolsonaro continue a influenciar seus apoiadores e comprometa as investigações em curso. O ministro também aponta que há risco concreto à ordem pública, dada a capacidade de mobilização do ex-presidente.
Bolsonaro foi detido em sua residência em Brasília e encaminhado para uma unidade da Polícia Federal, onde deverá prestar depoimento. Seus advogados informaram que recorrerão da decisão e classificaram a prisão como “injusta e arbitrária”.
A prisão do ex-presidente gerou reações imediatas no meio político. Parlamentares da base aliada do governo Lula afirmaram que a medida representa o fortalecimento das instituições democráticas. Já aliados de Bolsonaro classificaram a decisão como "perseguição política".
No exterior, veículos de imprensa destacaram a prisão como um desdobramento inédito na história recente do Brasil, marcando o envolvimento direto de um ex-chefe de Estado em supostos planos golpistas.
O inquérito que levou à prisão de Bolsonaro corre sob sigilo, mas fontes ligadas ao STF indicam que outras prisões podem ocorrer nos próximos dias. Moraes também autorizou novas diligências, que incluem a análise de dispositivos eletrônicos e extratos bancários de aliados próximos do ex-presidente.
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