
Brasília, DF – O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), usou o discurso em celebração aos 135 anos da Corte, nesta quinta-feira (26), para ironizar o senador Sergio Moro (União-PR) e criticar o que considera uma cobertura midiática excessivamente negativa contra o tribunal.
No plenário, Gilmar afirmou que, se um “alienígena” chegasse ao Brasil e acompanhasse apenas o noticiário recente, concluiria que “todos os problemas do país se restringem ao Supremo” e que a instituição seria “a única brasileira a merecer aprimoramentos”. Ele também expressou “perplexidade” com veículos de imprensa que, segundo ele, exaltaram a Operação Lava Jato sem fazer um “mea-culpa” diante de abusos reconhecidos posteriormente pela própria Justiça.
Na sequência, o ministro fez referência direta a Moro: “Muitos jornalistas importantes, hoje até promovidos, eram ghostwriters de Sergio Moro e companhia”. Em tom irônico, completou: “Ele precisava de ghostwriters porque talvez não soubesse escrever com G ou com J a palavra ‘tigela’”. A alfinetada remete a um episódio antigo em que Moro teria cometido erro de ortografia ao escrever “tigela” (com “t” em vez de “tigela” correta), usado por críticos para questionar sua comunicação.
O comentário ganha contexto com o processo em curso: em outubro de 2025, a Primeira Turma do STF formou maioria para manter Moro como réu em ação penal por calúnia contra Gilmar Mendes. A denúncia do MPF refere-se a um vídeo de abril de 2023 em que Moro teria atribuído ao ministro crime de corrupção passiva relacionado a habeas corpus, de forma falsa.
Procurado pela CNN, Sergio Moro rebateu: “O ministro Gilmar Mendes quer desviar a atenção da opinião pública da matéria publicada no Economist na qual foi retratado de maneira bem negativa. Ele devia falar sobre ela e não sobre bobagens”.
A troca de farpas reforça a tensão entre o senador (ex-juiz da Lava Jato) e o decano do STF, em um momento de alta polarização política no Brasil. O discurso de Gilmar também serviu para defender a imagem da Corte como instituição essencial, mas alvo constante de críticas.
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