
Apesar da prática criminosa concentrar expressivo número de ocorrências na calha do Solimões, a partir do município de Tefé, opinião unânime entre as autoridades presentes, a Superintendência da Polícia Federal no Amazonas afirmou que está com uma série de investigações em curso, que apontam claramente para uma nova rota do tráfico de drogas e armas pelo Rio Negro, o que também fez surgir a prática da pirataria.
“Três anos atrás, não se falava em tráfico ou pirataria na Região do Rio Negro, mas agora já desponta como constante e ameaça inclusive a atividade turística, muito comum naquela região, que também possui uma alta concentração de povos originários”, afirmou o novo Superintendente da Polícia Federal no Amazonas, o delegado federal Domingos Sávio Pizon.
A audiência revelou ainda que a pirataria dos rios não se limita às calhas do Solimões e do Negro e já apresenta ocorrências na região de Manaus. Reinaldo Barbosa Alencar, representando o Porto Chibatão, narrou vários episódios relativos à pirataria no empreendimento: “o Porto Chibatão possui 657 marítimos; 36 deles e 12 carreteiros já foram assaltados; tudo acontece depois das 21 h e temos até dificuldade em relação a quem nos dirigir”. Ele se dispôs a investir recursos nas forças de segurança para o combate ao crime.
Representando a Polícia Civil, o delegado de polícia Otávio Jordão, titular do 35º e do 34º distritos policiais do Careiro da Várzea e do Careiro Castanho, foi categórico ao afirmar que a presença da Base Fluvial Paulo Nery, em Itacoatiara, zerou as ocorrências de furto de combustível naquela região. “A base foi enviada para Itacoatiara por solicitação do Comandante Dan e do delegado geral Bruno Fraga; é importante valorizar as delegacias distritais, são elas que têm o primeiro contato com as vítimas e com as abordagens policiais", apontou Otávio Jordão. Ainda no uso da palavra, ele afirmou que “a criminalidade vai migrar e já estamos esperando, não há mais roubos de combustíveis na região de Itacoatiara, recentemente houve furto de televisores no Porto Chibatão”.
O Coronel PM Algenor Maria Costa Teixeira, Secretário Executivo de Operações Integradas do Governo do Amazonas, apresentou um panorama das operações e investimentos, mostrando as modalidades de policiamento para todas as calhas de rios. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Aquaviário do Município de Manaus, Wilderson Mar de Oliveira, relatou o temor dos marítimos em razão da violência dos piratas: “saem de casa e não sabem se vão retornar; há trechos, como o do Médio Solimões, em que está cada vez mais difícil conseguir tripulação”.
*Ação conjunta, coordenada e estratégica*
Presidente da Comissão de Segurança Pública do legislativo estadual e autor da propositura da audiência, o deputado Comandante Dan falou sobre a necessidade de uma ação que envolva as diferentes esferas de poder e os diferentes setores da sociedade civil: “precisamos de um plano emergencial que trabalhe a ação conjunta, coordenada e estratégica; estamos lutando contra o crime organizado com know-how de narcotráfico transnacional; sozinho, enquanto estado, não conseguiremos muita coisa; precisamos de tropas, de recursos e de ações continuadas”, disse.
Ele narrou que há na pirataria dos rios o que se convencionou chamar de “crifra negra”, termo que se refere à existência de um significativo número de infrações penais desconhecidas oficialmente: “os ataques se dão no meio dos rios, a maioria das vezes em locais sem acesso fácil à internet ou sem a presença de um aparelho policial que possa agir de imediato; não tenho dúvida que o que se divulga sobre pirataria nos rios é subestimado; como não tenho a menor dúvida que ela cresce exponencialmente”. O deputado planeja retomar as conversas com a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp), em Brasília (DF) sobre o tema.
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