Três pessoas morreram e uma mulher luta pela vida após uma sequência de ataques a marteladas em uma residência no bairro São Jorge, na manhã desta segunda-feira (17). A polícia identificou e prendeu o autor, Ezenilson Silva de Souza, em menos de 12 horas. Ele confessou a execução dos crimes, motivada por uma dívida de R$ 19 mil com agiotas e uma suposta ameaça de morte que pesava contra ele.
Invasão e escalada da violência Câmeras de segurança registraram Ezenilson pulando o muro da propriedade por volta das 5h30. Armado com um martelo, ele permaneceu no local por mais de duas horas e meia. O primeiro a ser atacado foi o pastor Francisco das Chagas Moraes, ex-sogro do suspeito. Durante uma discussão, Ezenilson desferiu vários golpes na cabeça da vítima.
O barulho atraiu outras pessoas para a cena. Isabella, filha de Francisco, ouviu os gritos do pai e foi morta ao tentar intervir. Guilherme Pereira Lima Filho, professor universitário que morava no andar de baixo, também checou a movimentação e foi assassinado.
Dilma Cilene Lima Sampaio, de 44 anos, dona do imóvel e moradora do térreo, subiu para investigar o barulho e sofreu graves ferimentos. Ela é a única sobrevivente e permanece hospitalizada em estado grave.
Fuga e prisão Após os ataques, o suspeito localizou um pequeno cofre com cerca de R$ 900 pertencentes ao pastor. Colocou uma máscara de proteção, recolheu o objeto e os celulares das vítimas, e saiu para quitar parte de sua dívida.
O corpo das vítimas só foi descoberto quando um caroneiro do professor Guilherme, sem conseguir contato com ele, acionou a família. Os parentes encontraram a cena de horror e Dilma agonizando no chão, o que permitiu o acionamento imediato do socorro.
O delegado Ricardo Cunha, da Delegacia de Homicídios e Sequestros (DHS), detalhou a frieza do acusado. "Ele não esboçou qualquer arrependimento. Disse que agiu em legítima defesa, mas confessou em detalhes como matou cada vítima", afirmou Cunha. Mesmo após o crime, Ezenilson seguiu a rotina normalmente, conversando com familiares e com a imprensa sem demonstrar emoção.
A equipe policial recuperou parte dos objetos levados. "Encontramos este cofre. Foi apreendido em seu poder a motocicleta, o capacete utilizado no crime, esse cofre e o celular da vítima Guilherme", completou o delegado. O suspeito informou ter descartado a arma e os demais celulares em um igarapé para evitar rastreamento.
Para a autoridade, a velocidade da investigação manda uma mensagem clara. "Em menos de 12 horas conseguimos identificar e prender o autor. Foi uma resposta imediata à sociedade, mostrando que o crime não terá a última palavra no Amazonas", destacou Cunha.