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Rio Negro registra vazante mais rápida e acende alerta para seca severa em Manaus

Nível do rio caiu 58 centímetros nos primeiros dez dias de agosto, ritmo superior ao observado no mesmo período de 2025, segundo dados do Porto de Manaus.

11/08/2026 às 02h22
Por: Danilo Andrade Fonte: Portal Oamazones
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O Rio Negro registrou uma vazante mais acelerada nos primeiros dias de agosto em Manaus. Dados do Porto de Manaus e do Serviço Geológico do Brasil indicam risco de uma seca severa caso as condições climáticas dos últimos anos se repitam.
O Rio Negro registrou uma vazante mais acelerada nos primeiros dias de agosto em Manaus. Dados do Porto de Manaus e do Serviço Geológico do Brasil indicam risco de uma seca severa caso as condições climáticas dos últimos anos se repitam.

O Rio Negro apresentou uma vazante mais intensa nos primeiros dias de agosto e acendeu um sinal de alerta para uma possível seca severa em Manaus. Dados do Porto de Manaus mostram que, entre os dias 1º e 10 de agosto de 2026, o nível do rio caiu 58 centímetros, passando de 27,35 metros para 26,77 metros.

No mesmo período de 2025, a redução foi de 34 centímetros, com a cota passando de 28,49 metros para 28,15 metros. Isso significa que, neste ano, a vazante foi 24 centímetros maior na comparação com o mesmo intervalo do ano passado.

Informações do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indicam que o comportamento do rio exige atenção. Segundo o órgão, caso as condições climáticas observadas em anos recentes de estiagem extrema se repitam, existe risco de uma seca severa na capital amazonense.

Os dados também mostram que a vazante começou mais cedo em 2026. De acordo com o Porto de Manaus, o Rio Negro iniciou o processo de descida das águas em 3 de julho, seis dias antes do registrado em 2025, quando o fenômeno teve início em 9 de julho.

Além de começar antes, a vazante também ocorre em ritmo mais acelerado. Enquanto no ano passado o rio baixou, em média, 3,8 centímetros por dia, neste ano a velocidade chegou a aproximadamente 6,4 centímetros diários, um aumento de cerca de 70%.

Outro dado que chama a atenção é a diferença entre os níveis registrados nos dois anos. No dia 1º de agosto, o Rio Negro estava 1,14 metro abaixo da cota observada na mesma data de 2025. No dia 10, essa diferença aumentou para 1,38 metro.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil, a curva inicial da vazante apresenta características semelhantes às registradas em 2023, ano em que Manaus enfrentou uma das maiores secas da história recente e o Rio Negro atingiu a segunda menor cota já registrada na capital. Apesar disso, o órgão ressalta que os níveis atuais ainda permanecem dentro da média histórica para o período.

El Niño pode agravar cenário

O risco de uma estiagem mais intensa também está relacionado ao fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, que altera o regime de chuvas em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, o fenômeno costuma provocar aumento das chuvas na Região Sul, enquanto parte do Norte e do Nordeste enfrenta redução das precipitações.

Na Amazônia, a previsão de menos chuvas nos próximos meses pode favorecer uma seca mais intensa, elevar o risco de queimadas e dificultar o abastecimento de comunidades que dependem dos rios para transporte, abastecimento e atividades econômicas.

Caso o cenário se confirme, o Rio Negro poderá registrar uma das secas mais significativas dos últimos anos, impactando diretamente a rotina da população de Manaus e de municípios do interior do Amazonas.

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