
O Rio Negro apresentou uma vazante mais intensa nos primeiros dias de agosto e acendeu um sinal de alerta para uma possível seca severa em Manaus. Dados do Porto de Manaus mostram que, entre os dias 1º e 10 de agosto de 2026, o nível do rio caiu 58 centímetros, passando de 27,35 metros para 26,77 metros.
No mesmo período de 2025, a redução foi de 34 centímetros, com a cota passando de 28,49 metros para 28,15 metros. Isso significa que, neste ano, a vazante foi 24 centímetros maior na comparação com o mesmo intervalo do ano passado.
Informações do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indicam que o comportamento do rio exige atenção. Segundo o órgão, caso as condições climáticas observadas em anos recentes de estiagem extrema se repitam, existe risco de uma seca severa na capital amazonense.
Os dados também mostram que a vazante começou mais cedo em 2026. De acordo com o Porto de Manaus, o Rio Negro iniciou o processo de descida das águas em 3 de julho, seis dias antes do registrado em 2025, quando o fenômeno teve início em 9 de julho.
Além de começar antes, a vazante também ocorre em ritmo mais acelerado. Enquanto no ano passado o rio baixou, em média, 3,8 centímetros por dia, neste ano a velocidade chegou a aproximadamente 6,4 centímetros diários, um aumento de cerca de 70%.
Outro dado que chama a atenção é a diferença entre os níveis registrados nos dois anos. No dia 1º de agosto, o Rio Negro estava 1,14 metro abaixo da cota observada na mesma data de 2025. No dia 10, essa diferença aumentou para 1,38 metro.
Segundo o Serviço Geológico do Brasil, a curva inicial da vazante apresenta características semelhantes às registradas em 2023, ano em que Manaus enfrentou uma das maiores secas da história recente e o Rio Negro atingiu a segunda menor cota já registrada na capital. Apesar disso, o órgão ressalta que os níveis atuais ainda permanecem dentro da média histórica para o período.
O risco de uma estiagem mais intensa também está relacionado ao fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, que altera o regime de chuvas em diferentes regiões do planeta.
No Brasil, o fenômeno costuma provocar aumento das chuvas na Região Sul, enquanto parte do Norte e do Nordeste enfrenta redução das precipitações.
Na Amazônia, a previsão de menos chuvas nos próximos meses pode favorecer uma seca mais intensa, elevar o risco de queimadas e dificultar o abastecimento de comunidades que dependem dos rios para transporte, abastecimento e atividades econômicas.
Caso o cenário se confirme, o Rio Negro poderá registrar uma das secas mais significativas dos últimos anos, impactando diretamente a rotina da população de Manaus e de municípios do interior do Amazonas.
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