Segunda, 28 de Setembro de 2026
23°C 37°C
Manaus, AM

Amazonas empossa primeira promotora de Justiça trans do Brasil

Fabi Diniz de Queiroz Pilate toma posse em Manaus e afirma que a diversidade fortalece as instituições democráticas e amplia a representatividade no sistema de Justiça.

31/07/2026 às 17h32
Por: Danilo Andrade
Compartilhe:
Fabi Diniz de Queiroz Pilate toma posse no Amazonas como a primeira promotora de Justiça trans do Brasil e destaca a importância da diversidade nas instituições democráticas.
Fabi Diniz de Queiroz Pilate toma posse no Amazonas como a primeira promotora de Justiça trans do Brasil e destaca a importância da diversidade nas instituições democráticas.

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) empossou, nesta sexta-feira (31), Fabi Diniz de Queiroz Pilate como promotora de Justiça. Ela se torna a primeira mulher trans a assumir o cargo no Ministério Público brasileiro, em uma cerimônia realizada na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, no bairro Nova Esperança, Zona Oeste de Manaus.

Além de Fabi, outros cinco promotores aprovados em concurso público também tomaram posse durante a solenidade, conduzida pela procuradora-geral de Justiça, Leda Mara Nascimento Albuquerque.

Para Fabi, a posse representa mais do que uma conquista individual. Segundo ela, o momento simboliza um avanço na representatividade dentro das instituições públicas e reforça a importância da diversidade na construção de uma sociedade mais democrática.

"A presença de uma Promotora de Justiça trans significa que o Ministério Público começa, ainda que de maneira incipiente, a refletir em sua composição a pluralidade da sociedade brasileira. Instituições democráticas se fortalecem quando conseguem representar, não apenas em sua atuação, mas também em sua própria formação, a diversidade do povo em nome do qual exercem suas funções", afirmou.

Marco para o sistema de Justiça

De acordo com o MPAM, a posse de Fabi representa um marco para a instituição e para o sistema de Justiça brasileiro ao ampliar a representatividade entre os membros do Ministério Público.

A promotora destacou que o momento também chama atenção para a realidade enfrentada por pessoas trans no Brasil, população que historicamente enfrenta obstáculos para o pleno exercício de direitos fundamentais.

"Acho que o dia de hoje não diz respeito apenas à minha trajetória pessoal. Ele também fala sobre uma parcela da população brasileira que, historicamente, permaneceu à margem do exercício pleno de direitos básicos, constitucionais e fundamentais", declarou.

Segundo ela, a diversidade fortalece as instituições democráticas ao permitir que diferentes segmentos da sociedade estejam representados também em sua composição.

 Expectativa para a atuação

Apesar do significado histórico da posse, Fabi afirmou que sua atuação será guiada pela missão constitucional do Ministério Público e não ficará restrita às pautas relacionadas à população trans.

Ela destacou que pretende ser reconhecida pelo rigor técnico, pela independência funcional e pelo compromisso com a defesa da ordem jurídica e dos interesses da sociedade.

"Minha carreira certamente não será dedicada exclusivamente às questões relacionadas à população trans, porque a missão constitucional de um membro do Ministério Público é muito mais ampla do que qualquer tema específico", afirmou.

A cerimônia reuniu membros do Ministério Público, autoridades e familiares dos novos promotores empossados, marcando o início da atuação de seis integrantes aprovados em concurso público. 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários