
Quem vive em Manaus já percebeu que o calor parece estar mais intenso a cada ano. A sensação não é apenas uma impressão. Especialistas apontam que a combinação entre o crescimento urbano acelerado e as mudanças climáticas tem provocado um aumento gradual das temperaturas na capital amazonense.
Além dos dias mais quentes, o desconforto térmico também aumentou. Isso acontece porque o calor elevado se junta à alta umidade característica da região, tornando o ambiente ainda mais abafado.
Um dos principais fatores por trás desse cenário é o chamado efeito de ilha de calor.
Com a expansão da cidade, áreas que antes eram cobertas por vegetação deram lugar ao asfalto, concreto e grandes construções. Esses materiais absorvem calor durante o dia e o liberam lentamente ao longo da noite, fazendo com que a temperatura permaneça elevada mesmo após o pôr do sol.
Estudos indicam que mais de 85% da população de Manaus vive em regiões afetadas por esse fenômeno, onde as temperaturas podem ser significativamente maiores do que nas áreas de floresta ao redor da cidade.
Menos árvores, mais calor
O crescimento da capital ocorreu, em muitos locais, sem planejamento ambiental suficiente. A retirada de árvores e o aterramento de igarapés diminuíram a capacidade natural da cidade de refrescar o ambiente.
As árvores fornecem sombra e contribuem para a evapotranspiração, processo que ajuda a reduzir a temperatura do ar e melhorar o conforto térmico.
Além das transformações locais, Manaus também sofre os efeitos do aquecimento global.
O aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera tem elevado a temperatura média do planeta, favorecendo a ocorrência de ondas de calor mais frequentes e intensas, inclusive na Amazônia.
Fenômenos climáticos como o El Niño também contribuem para esse cenário. Durante esses períodos, há redução das chuvas e da formação de nuvens na região Norte, aumentando a incidência direta da radiação solar e favorecendo temperaturas acima da média.
Impactos no dia a dia
Além do desconforto térmico, temperaturas elevadas podem aumentar o consumo de energia elétrica devido ao uso mais intenso de aparelhos de climatização, elevar o risco de desidratação e agravar problemas respiratórios e cardiovasculares, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Especialistas também defendem investimentos em arborização, preservação de áreas verdes, recuperação de igarapés e planejamento urbano sustentável como medidas essenciais para reduzir os efeitos do calor nas próximas décadas.
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