
A Ilha de Marajó, no Pará, está novamente no centro das atenções devido a denúncias de ser o palco de um cenário em que crianças são sexualmente exploradas. O mesmo tema já foi discutido em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), no Senado, em 2010.
Dessa vez, o cenário ganhou repercussão e chamou a atenção de influenciadores após a cantora Aymeê fazer fortes relatos sobre o tema em um programa de competição musical. Ela declarou que na Ilha de Marajó, a exploração sexual infantil e o tráfico de órgãos são comuns.
Em 2010, o Senado se debruçou sobre dezenas de denúncias e relatos de que o arquipélago concentrava diversos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Durante a CPI, os parlamentares mencionaram o caso do ex-deputado Luiz Afonso Sefer, condenado, anos mais tarde, a 20 anos de prisão pelo crime de estupro de vulnerável.
A comissão também destacou a exploração sexual nas embarcações, principalmente nas balsas e navios de transporte de cargas para a cidade de Manaus, identificada como “rota da exploração sexual”.
O bispo Dom José Luis Azcona, que há décadas luta contra a exploração de menores na ilha, teve participação importante na CPI e voltou a chamar atenção para o caso novamente em 2015.
Em 2020, a então ministra Damares Alves mencionou em um culto em Goiânia que buscava soluções para denúncias de mutilação e tráfico de crianças para exploração sexual na Ilha de Marajó, afirmando possuir evidências. Após pedido do MPF por informações, ela declarou que as denúncias se baseavam em relatos, não em provas. O MPF alegou propagação de fake news, exigindo retratação pública e uma indenização de R$ 5 milhões por danos sociais e morais à população do arquipélago.
Este caso serve como um lembrete sombrio das dificuldades enfrentadas por muitas crianças e adolescentes e da importância de continuar lutando contra a exploração sexual infantil.
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