
MPF aponta nepotismo no CREA-AM e déficit reacende debate sobre gastos com diárias
Uma ação civil pública por improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) voltou a colocar a gestão do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM) no centro das discussões sobre transparência e administração de recursos públicos.
No processo nº 1014638-48.2026.4.01.3200, o MPF sustenta que a nomeação de João Gabriel de Oliveira Pereira para um cargo de supervisão no CREA-AM configuraria prática de nepotismo e ato de improbidade administrativa. A ação tem como réus Alzira Miranda de Oliveira e João Gabriel de Oliveira Pereira.
Endereço informado na ação chama atenção
Outro ponto destacado nos autos diz respeito ao endereço informado pelo Ministério Público Federal para fins processuais.
Na petição inicial, Alzira Miranda é identificada com endereço residencial localizado na Avenida Padre Agostinho Caballero Martin, no bairro Santo Agostinho, em Manaus.
A informação chama atenção porque, segundo o texto da ação, no âmbito administrativo do CREA-AM teria sido apresentada justificativa de residência em Presidente Figueiredo, circunstância que levanta questionamentos sobre a divergência entre os dados constantes na ação judicial e as informações apresentadas ao conselho.
Servidor aparece entre maiores beneficiários de diárias
Os documentos analisados também apontam que Fabio Tavares Bento, coordenador de fiscalização do CREA-AM, figura na 24ª posição entre os maiores beneficiários de diárias no período analisado, com o recebimento de R$ 21.207,50.
A reportagem destaca ainda que Fabio Tavares Bento é irmão de Fabiola Bento, superintendente do CREA-AM.
Portal da Transparência registra mais de R$ 2,4 milhões em diárias
Os pagamentos de diárias ganham relevância diante dos dados financeiros divulgados pelo próprio conselho.
De acordo com informações disponíveis no Portal da Transparência do CREA-AM, entre 2024 e o início de 2026 foram pagos R$ 2.434.918,29 em diárias.
No mesmo período, documentos oficiais apontam que o conselho encerrou o exercício de 2025 com déficit financeiro de R$ 2.175.724,00.
Os documentos consultados não estabelecem relação direta entre os pagamentos de diárias e o resultado financeiro da autarquia. No entanto, os números ampliam o debate sobre planejamento financeiro, prioridades administrativas, governança e controle dos recursos públicos administrados pelo conselho.
Dados são públicos
Segundo a documentação consultada, todas as informações utilizadas na reportagem foram obtidas por meio do Portal da Transparência do CREA Amazonas.
Os registros permitem que profissionais registrados, órgãos de controle e a sociedade acompanhem os pagamentos de diárias, os beneficiários e os valores desembolsados ao longo dos últimos anos.
O espaço permanece aberto para manifestação dos citados na reportagem sobre os fatos apresentados.
Acompanhe as atualizações no oamazones.com.br.
Mín. 23° Máx. 37°