
Muito antes de se tornar um dos maiores espetáculos culturais do Brasil, o Festival de Parintins nasceu de uma iniciativa simples. Em 1965, jovens ligados à Juventude Alegre Católica organizaram um evento beneficente para arrecadar recursos destinados à conclusão das obras da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade.
Na época, a tradição do boi-bumbá já fazia parte da vida dos moradores da Ilha Tupinambarana. A brincadeira popular, herdada de influências nordestinas e adaptada à realidade amazônica, reunia grupos folclóricos que se apresentavam pelas ruas de Parintins. O sucesso da primeira edição foi tão grande que a festa passou a acontecer todos os anos.
Os grandes protagonistas da disputa são os bois Garantido e Caprichoso. O Garantido foi fundado em 1913 por Lindolfo Monteverde e ficou conhecido pelas cores vermelha e branca. Já o Caprichoso surgiu em 1925, representado pelo azul e branco. A rivalidade entre os dois se transformou na principal atração do festival e movimenta a cidade até hoje.
As apresentações são inspiradas no tradicional Auto do Boi, uma narrativa popular que conta a história de Pai Francisco, Mãe Catirina e a ressurreição do boi por um pajé. Com o passar dos anos, a encenação incorporou elementos indígenas, lendas amazônicas, alegorias gigantes e tecnologia cênica.
O que começou como uma festa comunitária tornou-se um patrimônio da cultura brasileira. Em 2018, o Festival de Parintins foi reconhecido pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil, consolidando sua importância para a identidade amazônica e nacional.
Mín. 23° Máx. 37°