
Um levantamento inédito do Governo Federal revelou que territórios indígenas de ao menos três municípios do Amazonas estão em áreas de alta vulnerabilidade ao crime organizado. Tabatinga, Atalaia do Norte, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira concentram os pontos mais críticos, principalmente por rotas de narcotráfico e crimes ambientais em regiões de fronteira.
O estudo faz parte do Índice de Vulnerabilidade ao Crime Organizado: Territórios Indígenas (IVCO-TI), apresentado no lançamento do programa "Território Seguro, Amazônia Soberana", do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O índice combina dados de atividades criminais, como apreensões e pistas de pouso clandestinas, com indicadores sociais das comunidades, refletindo a resiliência local.
De acordo com Marta Machado, secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), o crime organizado tem recrutado jovens indígenas, ameaçado lideranças e se aproveitado da ausência de serviços públicos para expandir sua atuação. Em 2024, foram registrados 1.241 casos de violência relacionados à propriedade em terras indígenas, incluindo 230 invasões e exploração ilegal de recursos naturais.
O levantamento analisou 39 indicadores, incluindo degradação ambiental, presença de rotas de tráfico, moradia, educação, saúde e registros de violência. Atualmente, 51,2% dos 1,7 milhão de indígenas do Brasil vivem na Amazônia Legal.
Entre 2023 e 2026, operações da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional resultaram na apreensão de 37,8 toneladas de cocaína, aumento de 318% na apreensão média anual de ouro ilegal, destruição de 1.951 dragas de garimpo ilegal e cumprimento de quase 1.600 mandados de busca e apreensão, mostrando esforço do governo para conter a presença de facções na região.
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