Manaus (AM) – A advogada Nataly Cabral, egressa do curso de Direito da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e com deficiência visual, conquistou uma vitória judicial ao realizar sustentação oral na Segunda Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). No dia 28 de agosto, ela obteve a reforma de uma sentença de primeira instância e assegurou indenização por danos materiais e morais a um consumidor que foi vítima de cobrança abusiva por uma operadora de telefonia.
Natural de Benjamin Constant (1.118 km de Manaus), Nataly perdeu a visão ainda bebê devido a um retinoblastoma. Em 2016, ingressou na UEA pelo Sistema de Ingresso Seriado (SIS) e iniciou a graduação em Tabatinga, concluindo depois em Manaus. Durante os anos no interior, estudava de madrugada, quando a internet estava mais estável, e contou com colegas que baixavam videoaulas para que pudesse acompanhar o conteúdo.
Em sua fala, o reitor da UEA, André Zogahib, destacou: “A trajetória de Nataly nos enche de orgulho e simboliza o verdadeiro papel da UEA: transformar vidas por meio da educação. Ela é um exemplo de superação, dedicação e de como o conhecimento pode abrir portas, mesmo diante das maiores dificuldades”.
Atualmente, Nataly cursa especialização em Licitações e Contratos Administrativos na UEA (modalidade EAD) e atua em um escritório de advocacia, onde realiza sustentações orais. Para desempenhar suas funções, utiliza tecnologias de acessibilidade, como leitores de tela e aplicativos que descrevem imagens.
No caso mais recente, representou o consumidor Luiz Alves Feitosa, 56 anos, que havia contratado um plano de telefonia de R$ 45, mas que, sem consentimento comprovado, chegou a R$ 197. Ao analisar as falhas contratuais e a ausência de provas, Nataly pediu e obteve a reforma da sentença, garantindo a reparação ao cliente.