Geral Amazonas
”O narcotráfico hoje é o grande investidor dos crimes ambientais na Amazônia”, afirma diretor da PF
A declaração foi feita durante o II Seminário de Segurança Inovadora pelo delegado federal Humberto Freire de Barros, titular da Diretoria para a Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal.
23/05/2024 12h40
Por: Danilo Andrade Fonte: divulgação
”O narcotráfico hoje é o grande investidor dos crimes ambientais na Amazônia”, afirma diretor da PF

A declaração foi feita durante o II Seminário de Segurança Inovadora pelo delegado federal Humberto Freire de Barros, titular da Diretoria para a Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal. O evento é promovido pela Comissão de Segurança Pública e pela Presidência do legislativo amazonense.

 "A importância do Ministério da Justiça e da Segurança Pública na proteção socioambiental na Amazônia Legal: os grandes desafios" foi a palestra do delegado, que abriu a programação do evento. Questões estratégicas à segurança na Amazônia Legal foram abordadas, como garimpo ilegal e terra indígena.

“Hoje, o grande incentivador e financiador da criminalidade ambiental é o narcotráfico, que não trabalha apenas com facções criminosas nacionais; estamos enfrentando falanges transnacionais”, declarou o diretor da PF. Ele argumentou que a falta de fiscalização e de políticas nacionais de meio ambiente e de combate ao crime organizado, vivida nos últimos  anos, incentivaram o chamado narconegócio.

Extração mineral, exploração madeireira e pesca ilegais são financiados pelo dinheiro do tráfico. O contexto atualmente  vivido na Amazônia  mostra que os povos originários e a população nativa e ribeirinha na Amazônia  são diretamente impactados pelo crime organizado, que diversifica seus negócios e lava dinheiro nos crimes ambientais. “Hoje falamos do ouro de sangue, porque a extração desse ouro custa a vida dos povos indígenas”, afirmou o palestrante.

“Estamos focando na descapitalização das organizações  criminosas e alcançando não só quem pratica o crime diretamente, no local do crime, mas toda essa superestrutura que financia e dá também infraestrutura aos crimes ambientais; muitas vezes a aeronave que leva o ouro extraído ilegalmente traz a droga para o território nacional e transporta jovens, sob o argumento de se tornarem cozinheiras em garimpos, o que mascara uma rede de exploração e escravidão sexual”, disse o delegado Humberto. 

Novas estratégias de combate

O Diretor de Amazônia e Meio  Ambiente da Federal aponta a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia será a principal estratégia de combate, tanto ao narcotráfico, quanto aos demais narconegócios ambientais. O Centro terá sede em Manaus e será formado pelos nove estados da Amazônia e pelos países da Amazônia internacional, com instalação prevista para acontecer ainda em 2024.

O deputado Comandante Dan (Podemos), presidente da Comissão de Segurança da  Aleam  e promotor do evento apontou, como estratégia de suporte ao Centro de Cooperação Internacional, a criação, no Amazonas, de um Centro Integrado de Operações de Fronteira (CIOF), a ser sediado em Tabatinga, a 1.114 quilômetros de Manaus, onde há a entrada da droga no país. 

O deputado Dan lembrou que a conquista foi um pedido de seu
Gabinete ao Secretário Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. "O Secretário Mário Sarrubbo percebeu a urgência que os cenários demandam e já ordenou à equipe técnica do Ministério que inicie as tratativas, que terão a participação da Comissão de Segurança Pública da Aleam", declarou o deputado.

Reaparelhamento, infraestrutura, novas unidades e incremento de efetivo serão os eixos estruturantes da ação da Polícia Federal. O Seminário está aberto a todos os interessados e acontece até a sexta-feira, 24, no Auditório Belarmino Lins, da Aleam. A participação é gratuita.