A Justiça do Amazonas proferiu uma sentença condenatória nesta quinta-feira (4), julgando seis policiais militares pelo triplo homicídio de jovens no bairro Grande Vitória, em Manaus. O caso remonta ao desaparecimento de Alex Júlio Roque de Melo, Ewerton Marinho e Rita de Cássia, ocorrido em 29 de outubro de 2016, após uma abordagem policial na região.
O juiz de Direito Eliezer Fernandes Junior assinou a sentença, determinando penas de 40 anos e seis meses para cinco dos réus, enquanto outro policial condenado teve sua pena fixada em 27 anos. Todos os condenados permanecerão em liberdade enquanto respondem pelos crimes.
A decisão marca o desfecho de um julgamento que teve grande repercussão na época do crime e foi objeto de adiamento em novembro do ano passado, a pedido do Ministério Público do Amazonas (MPAM) e da defesa de um dos réus.
Na segunda-feira (1°), o julgamento foi retomado no Fórum Henoch Reis, onde, no terceiro dia de júri, ocorreu um desentendimento entre a advogada Martha Gonzales e o juiz Eliezer Fernandes. Martha, responsável pela defesa de quatro suspeitos do crime, contestava a autenticidade das provas apresentadas, o que resultou em uma discussão entre os dois.
O caso teve início com o desaparecimento dos jovens após uma abordagem policial registrada por câmeras de vigilância da área. O trio foi abordado por policiais, obrigado a entrar no carro da PM e nunca mais foi visto. Após manifestações da comunidade local e a conclusão do inquérito pela Polícia Civil, que apontou o envolvimento dos policiais no crime, o julgamento resultou na condenação de seis réus e na absolvição de Isaac Loureira da Silva, também indiciado pelos crimes.
Após sete anos do ocorrido, os corpos das vítimas permanecem desaparecidos, evidenciando a gravidade e a complexidade do caso.
A defesa dos réus informou à Rede Amazônica que irá recorrer da decisão com o objetivo de reduzir as penas dos policiais condenados.