Manaus, AM – A Justiça do Amazonas decretou, nesta segunda-feira (23), a prisão preventiva de 25 pessoas presas na última sexta-feira (20) durante a Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM). A ação, que ganhou esse nome inspirado no latim (“erga omnes” = contra todos), investiga um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e favorecimento ao Comando Vermelho (CV) por meio de cargos públicos no estado.
Entre os alvos estão advogados criminalistas e servidores públicos que, segundo as investigações, atuavam como elo entre a facção criminosa e o poder público. Eles seriam responsáveis por organizar a logística do tráfico de drogas, fornecer informações sigilosas sobre operações policiais e judiciais, além de usar empresas de fachada para “lavar” recursos do crime organizado. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 70 milhões em bens dos investigados para evitar dissipação de patrimônio.
A Operação Erga Omnes é desdobramento de apurações que já duram meses e envolveu quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de dezenas de pessoas. De acordo com o MP-AM e a PF, o grupo investigado formaria o chamado “núcleo político” do CV no Amazonas, utilizando influência em órgãos públicos para proteger atividades criminosas, como o tráfico interestadual de entorpecentes e armas.
Entre os presos preventivos estão:
O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), se manifestou publicamente sobre a operação, especialmente em relação à prisão de seu ex-chefe de gabinete, que consta na lista dos alvos. Em nota, o chefe do Executivo municipal afirmou que “a administração sempre agiu com transparência” e que “os atos municipais estão à disposição das autoridades”. David destacou que não há qualquer ligação direta da gestão com as práticas investigadas e reforçou confiança no trabalho da Justiça.
Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-AM classificaram o esquema como “um dos mais graves já desmantelados no estado nos últimos anos”, pela capacidade de infiltração em estruturas públicas. Já a Polícia Federal destacou que a operação demonstra o avanço do crime organizado em buscar proteção institucional, o que exige resposta firme do Judiciário.