Geral REBAIXADA
Acadêmicos de Niterói é rebaixada do Grupo Especial do Rio após enredo sobre trajetória de Lula
Escola estreante na elite ficou em último lugar na apuração desta quarta-feira (18); desfile foi marcado por problemas técnicos na dispersão e embates judiciais.
18/02/2026 16h31
Por: Danilo Andrade
A apuração do Carnaval do Rio de Janeiro, realizada nesta quarta-feira (18), selou o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói para a Série Ouro. Em sua estreia no Grupo Especial, a agremiação terminou na última colocação após receber apenas duas notas dez ao longo da contagem. A escola levou para a Sapucaí o enredo "Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", que narrou a trajetória do atual presidente desde suas origens no Nordeste até a chegada ao Palácio do Planalto.
A apresentação de domingo (15) foi visualmente marcante, com representações da rampa presidencial e encenações de figuras políticas como o ministro Alexandre de Moraes e ex-presidentes brasileiros. Entretanto, a escola enfrentou sérias dificuldades técnicas na dispersão, onde alegorias ficaram presas, gerando correria no encerramento e prejudicando a entrada da Imperatriz Leopoldinense, escola seguinte na ordem de desfile.
Além dos problemas na pista, a passagem da Acadêmicos de Niterói foi cercada de polêmicas nos tribunais. Mais de dez ações judiciais tentaram barrar o desfile ou suspender repasses públicos, sob a alegação de que o enredo configuraria propaganda eleitoral antecipada. Embora o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tenha garantido a realização do desfile para evitar censura prévia, ministros alertaram que condutas na avenida ainda poderiam sofrer punições posteriores.
Críticas também vieram de setores da oposição e da bancada evangélica, especialmente devido a alas que faziam sátiras a grupos conservadores e referências religiosas. Em nota oficial, a escola afirmou ter sofrido perseguições durante a preparação devido à escolha do tema. Com o resultado, a Niterói retorna ao grupo de acesso em 2027, enquanto o debate sobre os limites entre a liberdade artística e a propaganda política segue em alta.