Polícia FUGA
Dupla de detentos foge da delegacia de Parintins (AM) usando lençóis; é a segunda fuga no interior do estado em menos de uma semana
Wellington Matheus e Felipe dos Santos escaparam na madrugada desta segunda (29) com método “teresa”; na última quarta (24), 14 presos fugiram da prisão de Maués; casos expõem crise nas unidades de custódia do interior
30/12/2025 17h30
Por: Danilo Andrade

A segurança do sistema carcerário no interior do Amazonas enfrenta uma crise aberta. Na madrugada desta segunda-feira (29), dois detentos fugiram da carceragem da Delegacia de Polícia de Parintins, cidade localizada a 369 quilômetros de Manaus. Os identificados como Wellington Matheus Alves Pinto e Felipe dos Santos Azevedo usaram o método conhecido como "teresa" – improvisando cordas com lençóis ou pedaços de tecido para descer de uma área elevada da unidade. Este é o segundo caso de fuga em menos de uma semana no estado, após a escapada de 14 presos da Unidade Prisional de Maués na véspera de Natal.

Os Detalhes da Fuga em Parintins

De acordo com informações repassadas pela Polícia Civil do Amazonas, a dupla aproveitou a madrugada e, possivelmente, uma falha no turno de vigilância, para executar o plano. Eles amarraram os lençóis, provavelmente em alguma grade ou janela, e desceram pela lateral do prédio da delegacia até o solo, fugindo em seguida.

Um detalhe chama a atenção e revela um problema crônico: um dos fugitivos, natural do estado do Pará, já estava custodiado na delegacia de Parintins há vários meses, apenas aguardando transferência para uma unidade prisional de segurança média ou máxima. A situação é comum no interior, onde as delegacias funcionam como "depósitos" de presos por falta de vagas no sistema penitenciário oficial, que é concentrado na capital.

A Fuga em Massa de Maués e o Contexto de Crise

A fuga em Parintins acontece no rastro de um episódio ainda mais grave. Na última quarta-feira (24), véspera de Natal, 14 presos conseguiram escapar da Unidade Prisional de Maués durante o banho de sol. Eles utilizaram uma serra para cortar uma grade de proteção. A fuga em massa, uma das maiores dos últimos anos no estado, colocou a cidade em alerta e mostrou a vulnerabilidade das penitenciárias.

Juntos, os dois casos – um em delegacia (local de custódia provisória) e outro em unidade prisional (para cumprimento de pena) – pintam um quadro desolador da infraestrutura de segurança no interior amazonense. Superlotação, falta de agentes penitenciários, instalações precárias e manutenção deficiente criam o ambiente perfeito para tentativas de fuga.

A Reação das Autoridades e a Busca aos Fugitivos

Após a fuga em Parintins, a Polícia Civil afirmou que as buscas foram imediatamente iniciadas e que a segurança da delegacia foi reforçada. A corporação também informou que um procedimento interno será aberto para apurar as circunstâncias do caso, eventuais falhas na vigilância e as condições físicas da carceragem.

A população foi acionada para ajudar. A PC-AM pede que qualquer informação sobre o paradeiro de Wellington Matheus e Felipe dos Santos seja repassada de forma anônima para os números (93) 98440-2691 (disque-denúncia local) ou para o 190.

Enquanto os fugitivos não são recapturados, as comunidades de Parintins e Maués vivem com receio, e a pergunta que paira no ar é: qual interiorano será o próximo? Na sua opinião, qual a solução mais urgente para conter a onda de fugas no interior do Amazonas: investir na reforma das delegacias, construir mais presídios regionais ou ter um esquema de transferência mais ágil para Manaus? Deixe sua análise nos comentários.