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Com caos e mortes em Manaus, deputados travam duelo para Wilson Lima suspender aluguel de jatinho de R$ 9,3 milhões

Com Manaus sendo o “epicentro” da pandemia da Covid-19 no mundo, com centenas de mortes diariamente, o governador Wilson Lima (PSC) continua com atitudes que causam polêmicas. O chefe do Executivo Estadual tem insistido em permanecer com o aluguel de jatinho no valor de R$ 9,3 milhões, cujo contrato foi homologado no último dia 22 de janeiro. O documento foi assinado pelo secretário chefe da Casa Militar, coronel Fabiano Bó, que é investigado pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Sangria.

Segundo o Diário Oficial do dia 22, a homologação da contratação da empresa Rico Táxi Aéreo Ltda estava sendo feita pela Secretaria de Estado da Casa Militar e prevê a locação de aeronave Tipo Jato Executivo, com capacidade mínima para 8 passageiros e 2 tripulantes, com combustível e piloto, para transporte estadual, interestadual e internacional.

A atitude estarrecedora chamou a atenção dos deputados Delegado Péricles (PSL), Wilker Barreto e Dermilson Chagas, ambos do Podemos. “É agir na mão contrária de todos os esforços que todos têm feito para dar fim à situação que temos enfrentado”, reclamou Péricles.

Wilker e Dermilson, além de criticarem o governador na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), decidiram acionar a justiça e ingressaram com uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) contra Wilson Lima para suspender o Pregão Eletrônico nº 1032/2020.

“Eu e o deputado Dermilson ingressamos com uma medida cautelar pedindo a suspensão do pregão do jatinho. Estamos falando de R$ 9,3 milhões que são 13 usinas de oxigênio de R$ 700 mil. Nós somos fiscais do povo e vamos pedir suporte do TCE para socorrer o dinheiro do povo”, afirmou Barreto.

Repasses

O site Todahora.com, em reportagem sobre o tema, revelou que três dias depois do contrato do jatinho ser publicado em Diário Oficial, mais de R$ 42 milhões foram repassados a Casa Militar do Amazonas para “transporte e segurança de autoridades”. O valor é 356% a maior do que os R$ 9,3 milhões do aluguel do jatinho com a empresa Rico Táxi Aéreo.

Mas, segundo o Governo do Amazonas, a suplementação orçamentária para a Casa Militar se faz necessária frente ao aumento da demanda de serviços de transporte aéreo ocasionado pela pandemia de Covid-19, tornando-se indispensável a ampliação da capacidade logística e operacional do órgão.

O valor será gasto com: assistência das ações de governo; apoio às solicitações de outros órgãos, para transporte aéreo, terrestre e fluvial; Operação Verde Brasil, visando combater o desmatamento ilegal e queimadas não autorizadas no estado do Amazonas; Operação logística para a entrega de Cartões de Auxílio Social; Operação Logística para a entrega de vacinas e insumos ao Combate à Covid-19; e  Operações Logísticas junto aos Órgãos de Segurança Pública.

Sobre a contratação da aeronave, foi informado que o destrato deve acontecer apenas depois da pandemia.

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