Política

Veja o resumo da CPI da Pandemia, nesta terça-feira (4)

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para apurar ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19 ouve agora o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (assista ao vivo acima), primeiro convocado para as oitivas.

O ex-ministro Nelson Teich também seria ouvido nesta terça-feira (4). No entanto, conforme a assessoria do senador Omar Aziz (PSD-AM), a oitiva do médico foi transferida para esta quarta-feira (5), às 10h.

Resumo da CPI da Pandemia até aqui:

Questões ao ex-ministro: Mandetta foi questionado sobre as ações como ministro da Saúde no governo de Jair Bolsonaro e afirmou que não havia interesse por parte do governo de fazer uma campanha oficial de orientação sobre a doença. “Aquelas entrevistas [diárias] só existiam porque não havia o normal quando se tem uma doença infecciosa: você ter uma campanha institucional, como foi [feito], por exemplo, com a Aids – havia uma campanha em que se falava como pega e orientava as pessoas a usarem preservativos”. 

Mais Mandetta: Ao ser questionado pelo senador Renan Calheiros, relator da CPI, Mandetta também afirmou que a ordem para utilizar cloroquina no combate à Covid não saiu do Ministério da Saúde. “Cloroquina com uso indiscriminado tem margem de segurança estreita. Não é aquela coisa ‘se bem não faz, mal não faz’”. Ele também afirmou que um “aconselhamento paralelo” do presidente sugeriu que a bula da cloroquina fosse alterada pela Anvisa para acrescentar a informação de combate à Covid.

Uso da cloroquina: O ex-ministro afirmou que durante sua gestão foram feitos estudos e pesquisas para o uso do medicamento. No entanto, com a teoria do uso em larga escala, Mandetta disse que “nunca” recomendou que o uso da droga fosse adotada. Segundo ele, em uma “tentativa heroica”, recomendou o uso compassivo, mas, ainda conforme o ex-ministro, “não funcionou para nenhum caso”. 

Síndrome pós-Covid: Mandetta argumentou que o Ministério da Saúde deveria se preocupar também com as sequelas deixadas pela doença. “Já está na hora de a gente fazer os ambulatórios pós-Covid em todo o território nacional para poder se reestruturar”, disse.

Lockdown: Segundo o ex-ministro, o Brasil não fez nenhum lockdown, apenas tomou medidas “depois do leite derramado”. Mandetta afirmou que o país sempre esteve um passo atrás do vírus e ressaltou que foram poucos os prefeitos e governadores que se preveniram. 

Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, em depoimento na CPI da Pandemia
Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, em depoimento na CPI da Pandemia

Depoimento de Pazuello: Outro ponto que ganhou destaque na CPI, além do depoimento de Mandetta, foi o possível adiamento do depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, previsto para esta quarta-feira (5).O presidente da CPI, Omar Aziz, afirmou que está mantido o cronograma. “Está mantida a presença do Pazuello. Não tivemos nenhum comunicado oficial, o que foi me comunicado é que ele teve contato com dois assessores que contraíram o vírus e ele estava preocupado em transmitir e ficaria de quarentena”. Mais cedo, na abertura dos trabalhos, a CPI da Pandemia teve a informação de que o general queria adiar o depoimento por causa do contato com pessoas que testaram positivo para Covid.

Requerimento: Pouco antes do início da oitiva de Mandetta, a CPI aprovou de forma simbólica o requerimento para solicitar duas auditoras do Tribunal de Contas da União (TCU) para auxiliar nos trabalhos da comissão.

Depoimento preocupa o Planalto

Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ouvidos pela analista de política da CNN Renata Agostini, manifestaram preocupação com o conteúdo do depoimento de Mandetta à CPI.

O entendimento é o de que Mandetta será muito questionado pelos senadores e há temor de que, em meio às respostas, ele possa fazer afirmações que deem brechas para a responsabilização do governo federal.

A primeira versão do roteiro de perguntas preparado pelo relator da CPI possui 45 perguntas ao ex-ministro da Saúde, de acordo com informações do analista de política da CNN Caio Junqueira.

Estão previstos questionamentos duros para Mandetta, principalmente sobre a política de compra de equipamentos e insumos para o combate a pandemia e a recomendação para que as pessoas ficassem em casa ao notar os primeiros sintomas – a avaliação é a de que esses são seus pontos fracos

Oitiva de Teich adiada

Além de Mandetta, a CPI da Pandemia ouviria nesta terça-feira (4) o também ex-ministro da Saúde Nelson Teich. A oitiva estava prevista para começar às 14h.

No entanto, conforma a assessoria do presidente da comissão, senador Omar Aziz, o depoimento do médico foi remarcado para esta quarta-feira (5), às 10h.

Teich, que ficou apenas 29 dias no cargo, deve ser questionado sobre as negociações com as farmacêuticas sobre vacinas já que foi na sua gestão que o governo começou esse processo.

Entre as perguntas está, por exemplo, o questionamento sobre o plano que Teich, ao deixar o ministério, disse ter recomendado ao governo e que nunca foi executado – o roteiro do relator prevê, ao menos, 36 perguntas ao ex-ministro.

O principal assunto, contudo, deverá ser a hidroxicloroquina, principal motivo de sua saída do governo. A ideia é mapear a responsabilidade de Bolsonaro na gestão. O ponto negativo que está no roteiro inicial de perguntas é o aumento exponencial de internações e óbitos durante seu período no cargo.

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