Dia a dia

Em web conferência, pesquisador fala do potencial econômico da floresta Amazônica

Extração do açaí, produtos farmacêuticos e cosméticos feitos com matéria prima genuinamente amazonense podem ser o cardápio da economia da “Amazônia 4.0”. É o que aposta o especialista em manejo de áreas protegidas e desenvolvimento sustentável, Ismael Nobre, como ele apresentou na web conferência, “Desmatamentos e Queimadas na Amazônia”, promovida pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), nesta sexta-feira, 17.

Segundo Nobre, a extração dos recursos naturais da região pode gerar cerca de 1 bilhão de dólares por ano. Nada mal para um estado que tem como modelo econômico, praticamente, só o Polo Industrial de Manaus (PIM), que é ameaçado de tempos em tempos no Congresso Nacional, considerou o especialista.

Preservação

Mas, se o Amazonas quer se beneficiar dos insumos, é preciso deixar a floresta amazônica de pé. O problema é que o desmatamento acelerado está levando ao chamado “ponto de não retorno”, segundo o presidente do comitê científico do International Geosphere Biosphere Progamme, Carlos Nobre.

“Não estamos, infelizmente, longe desse ponto de não retorno. Se em meados de 2050, estivermos com esse cenário somado a mudança climática, o desmatamento atingir 20% da floresta e um dos efeitos será o aumento nos incêndios. Teremos, então, uma parte de savana, que tornaria as consequências irreversíveis na floresta Amazônica”, explicou o palestrante.

Consequências

Durante a palestra, o pesquisador Carlos Nobre disse que a própria floresta cria as condições para se manter viva. Para isso, a natureza age promovendo chuvas para que a estação seca passe rápido e o solo sempre úmido funciona como uma barreira para o fogo causado pelas descargas elétricas. O problema é que esse sistema é afetado pelo desmatamento.

O TCE-AM e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) desenvolveram o aplicativo ‘Sou Eco’ e lançaram a novidade na própria web conferência. Por meio do app é possível fazer denúncias de infrações e crimes ambientais que vão direto para os fiscais ambientais do Tribunais.

Presença

O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), se fez presente no evento, mas foi breve. Ele falou da relação do desmatamento com a economia. “Quem entra para fazer essa derrubada é o pequeno que mora aqui na Amazônia, que não tem de onde tirar a sua renda, e que recebe 2 ou 3 mil para derrubar uma área de interesse de um grande investidor”, disse, o óbvio, o governador, mas não ficou para ouvir as opções econômicas colocadas em pauta pelos pesquisadores.

Também participaram dos debates o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Ricardo Galvão, o secretário de Estado do Meio Ambiente (Sema), Eduardo Taveira e o presidente da Atricon, conselheiro Fábio Nogueira.

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