Política

Em depoimento, ex-secretário do interior da Susam não justifica preços de serviços de 2017

Em uma nova oitiva realizada nesta segunda-feira, 3, pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, o médico e ex-secretário executivo de Apoio à Saúde no Interior, Edvaldo da Silva, foi ouvido pelos deputados sobre gastos feitos pela Secretaria de Estado da Saúde (Susam) em 2017.

Os valores pagos pelo Governo do Estado à empresa Norte Serviços Médicos LTDA para exames de colposcopia e conização, ambos realizados em diagnóstico de câncer de colo uterino, tiveram preços superfaturados se comparados com a média do mercado, inclusive em clínicas particulares.

Edvaldo da Silva era quem assinava os relatórios dos serviços, atestando, em teoria, sua realização junto à população de municípios do interior, por meio do barco do Programa de Atendimento Itinerante (Barco PAI).

Sem questionamento de preços

Contudo, ele afirmou em depoimento que não havia nenhum outro representante da Susam para avaliar se tais exames eram de fato realizados pela empresa, que é suspeita de fraude nestes serviços e também nos serviços de lavanderia para o hospital de campanha da Nilton Lins.

O médico e ex-secretário de Apoio à Saúde no Interior, que atualmente é secretário de Saúde do município de Presidente Figueiredo, disse, ainda, que acreditava na boa fé da empresa e não questionava os valores pagos, que eram mais de seis vezes o preço do mercado.

De acordo com a CPI, uma clínica particular cobra por volta de R$ 1.300 por ambos os serviços em uma mesma paciente, mas a Susam pagou, por meio de processo indenizatório, o valor R$ 8.680,00 por paciente à empresa Norte Serviços Médicos.

A empresa recebeu R$ 868 mil por 91 atendimentos realizados em tempo recorde de quatro dias, entre os dias 28 e 29 de julho de 2017 e 10 e 11 de agosto de 2017. Os atendimentos teriam ocorrido nos municípios de Guajará, Ipixuna e Envira.

Contradições

Além de estarem acima da média por paciente, os relatórios apontados pela CPI mostram que Edvaldo da Silva assinou que 100 atendimentos foram realizados, enquanto os relatórios apontavam que 91 pacientes haviam sido, de fato, atendidas.

Ainda em seu depoimento, o médico afirmou que não recordava de ter assinado relatório com 100 atendimentos realizados. Questionado se havia sido pressionado por terceiros ou alguém do alto escalão a assinar pelas informações contraditórias, o depoente negou.

O ex-secretário também negou ter ingerência sobre os valores e afirma que em nenhum momento questionou os preços. De acordo com ele, tal requisito não fazia parte de sua função.

Empresa sob suspeita

A empresa Norte Serviços Médicos está envolvida em uma série de suspeitas de operações fraudulentas junto ao Governo do Amazonas, de acordo com a CPI.

Já foram ouvidos Vitor Vinícios Souto dos Santos, de apenas 23 anos, um dos ex-donos da empresa e que a vendeu, em fevereiro deste ano, para a empresária Criselidea Bezerra da Silva, por R$ 5 milhões. Na ocasião, Vitor se recusou a responder as perguntas da CPI, valendo-se do direito constitucional de permanecer em silêncio. Criselidea Bezerra também foi ouvida pela Comissão.

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